No Ateliê Quitanda, cada peça nasce de um processo onde o tempo, o conhecimento técnico e o trabalho manual são elementos centrais. Produzir dessa forma significa respeitar o material, valorizar o ofício e compreender que um objeto bem feito é resultado de muitas etapas cuidadosas — e de mãos envolvidas.
Nossa produção acontece majoritariamente de forma manual. Desde o corte do couro, passando pela preparação das partes, montagem, costura e acabamentos finais, cada etapa é conduzida com atenção ao detalhe. Diferente de uma produção industrial automatizada, aqui cada peça é construída individualmente, permitindo ajustes precisos e garantindo que o material seja utilizado da melhor forma possível.
O couro, por exemplo, é um material vivo. Cada pele possui variações naturais de textura, fibras e tonalidade. Por isso, antes mesmo do corte, analisamos cada área do material para decidir onde cada parte da peça será posicionada. Esse cuidado influencia diretamente na resistência, na estética e na durabilidade do produto final.
Embora o trabalho manual seja o centro do nosso processo, utilizamos algumas máquinas específicas para garantir precisão e eficiência em determinadas etapas. Essas ferramentas não substituem o fazer manual — elas o complementam.
Entre elas estão:
Máquina Rebaixadeira – utilizada para afinar áreas específicas do couro. Esse processo permite dobrar, sobrepor ou costurar partes com maior precisão, além de contribuir para acabamentos mais refinados.
Máquina de Corta Tiras – utilizada principalmente para cortar cintos, alças e tiras com largura exata e uniforme.
Prensa de Corte – utilizada em alguns moldes curvos ou peças que exigem cortes extremamente precisos.
Máquina de Costura – aplicada em costuras internas, não aparentes, e em áreas mais longas, como alças e cintos.
Mesmo nesses casos, cada máquina é operada manualmente dentro do ateliê. Ou seja, o olhar e o controle continuam sendo humanos em todas as etapas do processo.
Um dos grandes destaques do nosso trabalho é a costura de selaria, uma técnica tradicional de costura manual utilizada há séculos na produção de artigos de couro. Esse método exige tempo, precisão e prática — e é justamente ele que confere às peças uma resistência e longevidade excepcionais.
O processo começa com a marcação da margem de costura e a perfuração do couro com um instrumento chamado cinzel, que cria pequenos furos alinhados e regulares. Em seguida, utilizamos duas agulhas e um único fio de linha, que atravessa a peça simultaneamente pelos dois lados em um movimento alternado, formando um padrão em zigue-zague.
Essa técnica cria uma costura extremamente firme, pois cada ponto se trava individualmente. Diferente da costura feita apenas à máquina, se um ponto eventualmente se romper, o restante da costura permanece intacto. É um método mais demorado, porém significativamente mais durável — pensado para acompanhar o uso por muitos anos.
Dentro do Ateliê Quitanda, diferentes linhas de produtos utilizam esses processos de maneiras distintas.
As peças da Quitanda carregam de forma mais intensa a tradição da costura manual de selaria e dos acabamentos artesanais mais elaborados.
Na Namul, o processo mantém o mesmo cuidado na seleção de materiais e na construção das peças, porém com maior predominância de costuras feitas à máquina, permitindo criar produtos mais simples, funcionais e acessíveis — sem abrir mão da durabilidade.
Já a linha Quitanda&Namul nasce do encontro entre essas duas abordagens: combina a precisão da costura à máquina com pontos estratégicos de costura manual, resultando em peças de design limpo, construção inteligente e acabamento equilibrado.
Independentemente da linha, todos os produtos passam pelas mãos do nosso ateliê. É esse processo atento, humano e deliberadamente mais lento que permite criar peças que não são feitas para um momento — mas para acompanhar uma história inteira.
Se você quiser acompanhar mais de perto o processo de produção, os bastidores do ateliê e o desenvolvimento das nossas peças, acompanhe-nos no Instagram:
@quitandacouro.